sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Retrospectiva 2014 - Hortaliças são prejudicadas pela seca no Sudeste e Nordeste

Pesquisadores do Hortifruti/Cepea avaliaram os impactos do clima nas hortaliças ao longo de 2014. Para algumas delas, o clima atípico deste ano causou perdas na produção e reduziu a qualidade, além de alterar o calendário de oferta. Leia a seguir.

PRIMEIRO SEMESTRE: No início de 2014, quando foram colhidas as safras de verão e das águas, o pouco volume de chuva e o forte calor geraram grandes perdas na hortifruticultura. Além das folhosas em São Paulo, a batata no Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba também foi bastante afetada. Houve forte quebra de produtividade e a perda de pelo menos 1.000 hectares. Por outro lado, o clima menos úmido neste período favoreceu a produtividade das lavouras de tomate e cenoura, que foi elevada. No caso de tomate, a finalização da colheita foi até adiantada em importantes regiões do Sudeste (Itapeva/SP) e do Sul (Caçador/SC). Em contrapartida, ao longo do primeiro semestre, choveu em excesso no Rio Grande do Sul, o que prejudicou a produtividade de cebola e batata.

SEGUNDO SEMESTRE: O inverno foi mais seco que o normal no Sudeste, elevando a incidência de pragas em tomate, folhosas e batata e impactando na qualidade desses produtos. No caso do tomate e da batata, houve redução de área e também da produtividade. A partir de julho, as viroses foram controladas e a produtividade aumentou. A produção de cenoura apresentou boa produtividade até meados de outubro, quando a seca começou a prejudicar as lavouras em Minas Gerais.

O início do plantio da safra das águas e de verão 2014/15 de hortaliças no Sudeste também foi prejudicado pela falta de chuvas. No Sul, o cenário foi contrário ao observado nas demais regiões, com excesso de água atrapalhando o desenvolvimento das lavouras de cenoura, cebola e batata. Na região Nordeste, apesar da seca, não foi registrada redução da área de tomate nem de batata em 2014. Contudo, houve diminuição da área de cebola e, na Bahia, o cultivo de cenoura apresentou ligeiro recuo no segundo semestre.

MESMO ENFRENTANDO PROBLEMAS CLIMÁTICOS, HORTALIÇAS FECHA 2014 COM SALDO POSITIVO

Em geral, tomaticultores obtiveram resultados positivos, embora tenha sido um ano de desafios por conta do clima e as margens tenham sido pressionadas em alguns meses (julho a setembro) pela oferta elevada. Para os bataticultores, em média, o resultado foi positivo até julho – exceto para aqueles que tiveram quebras acentuadas por falta de água –, pois as cotações se mantiveram em patamares elevados. Entre agosto e outubro, os preços da batata despencaram, ficando abaixo dos custos, devido ao excesso de oferta na safra de inverno; a partir de novembro, voltaram a se elevar. Para cebola, o ano todo foi rentável, mesmo com o grande volume importado (atípico) no segundo semestre. Produtores de cenoura e folhosas obtiveram bons resultados no início do ano, mas de junho a setembro as margens foram negativas. 

Equipe Hortifruti Brasil

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Edição de dezembro: Anuário 2014-2015


O Anuário 2014-2015 da Hortifruti Brasil já está no ar! E é com muito orgulho que apresentamos a você o nosso lançamento para 2015: o Projeto Melancia, realizado em parceria com a Syngenta e décima terceira cultura de que a HF Brasil irá acompanhar a partir do ano que vem!

Além deste lançamento, trazemos para você no Anuário 2014-2015 os principais acontecimentos do mercado das 12 frutas e hortaliças já acompanhadas e perspectivas para 2015. Por mais um ano, não teve como fugir: o clima acabou “pegando para valer” o setor hortifrutícola, interferindo no calendário de produção de muitas culturas, na oferta e na qualidade dos produtos. Esta edição também traz o Caderno de Estatísticas, com série mensal de preços de 2013 e 2014 das 12 culturas.

Para conferir o Anuário 2014-2015 e a estreia da Seção Melancia, acesse a página da Hortifruti Brasil
AQUI!
 
Atenciosamente,
Equipe Hortifruti Brasil
(19) 3429-8808

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Retrospectiva 2014 - Clima afeta qualidade e preços da fruticultura

O clima foi um dos grandes responsáveis por afetar a produção de frutas em 2014. O calendário de produção, a oferta e a qualidade foram influenciados especialmente diante da forte seca no Sudeste e Nordeste e chuvas em excesso no Sul. Com isso, o Hortifruti/Cepea traçou um panorama do impacto do clima na produção de frutas ao longo deste ano. Confira a seguir.

SUL E SUDESTE – Entre as frutas colhidas na primeira parte do ano, houve prejuízos à qualidade da manga e perdas de produção da banana em São Paulo. No Sul, as altas temperaturas de janeiro resultaram em queda de frutos verdes e queimadura pelo sol para a cultura da maçã. As chuvas de verão ocorreram com mais intensidade somente no Espírito Santo e no Rio Grande do Sul. No estado capixaba, houve alagamento de algumas áreas de mamão, acarretando perdas.

Já para as frutas colhidas no segundo semestre, como o mamão, a banana, a manga e os citros, o principal dano decorrente da falta de chuva foi o baixo calibre. No caso dos cítricos, as frutas murcharam e parte da produção paulista teve sua colheita adiantada, sendo vendida basicamente a indústria. A uva de Jales (SP) e Pirapora (MG) enfrentou o excesso de calor, que reduziu a produtividade dos parreirais e dificultou o ganho de cor das bagas, sobretudo das variedades benitaka e rubi.

Com a falta de água em SP, os pomares de manga e citros passaram por grande estresse hídrico. Assim, as primeiras chuvas que chegaram em setembro no Sudeste induziram as floradas dessas culturas. Porém, a irregularidade das precipitações dificultou o “pegamento” das flores e enchimento dos frutos, o que pode ocasionar prejuízos à safra 2014/15 de manga e 2015/16 de citros. No Sul, a maçã também teve problema com o “pegamento” das flores, desta vez causado pelo excesso de chuva durante a polinização.

NORDESTE – a situação mais crítica foi vista em Mossoró (RN), onde se cultiva melão, e em Livramento de Nossa Senhora/Dom Basílio (BA), região produtora de manga. Nessas praças, as chuvas não são regulares há pelo menos três anos e, em 2014, houve redução de área de cultivo e também queda da produtividade. No Vale do São Francisco (BA/PE), a produção de uva diminuiu no segundo semestre deste ano frente a 2013, podendo chegar em quebra de 20%, mas a causa foram as chuvas ocorridas em abril/maio, durante a brotação. O calor excessivo no final de 2014, por sua vez, está causando abortamento de flores, o que deve influenciar a safra do Vale no primeiro semestre de 2015. Para as demais frutas deste polo produtor, a rentabilidade foi positiva, sem grandes impactos do clima sobre a produção.
Na próxima semana, a Hortifruti Brasil publicará no blog o release sobre os impactos do clima nas hortaliças.
 
Por Equipe Frutas - Hortifruti/Cepea
 

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Sul de MG inicia colheita de batata da safra de verão 14/15

Importante região produtora de batata, o Sul de Minas Gerais deve iniciar a colheita da safra das águas 2014/15 nesta semana. Por enquanto, serão colhidas em dezembro cerca de 5% da área total cultivada com batata na temporada. O cultivo na região se estendeu de agosto até novembro, e durante esse período a estiagem acabou limitando a área, devendo causar algum impacto à produtividade. As estimativas iniciais são de quebra de 10% a 20% na safra local.

De acordo com produtores mineiros, em algumas áreas choveu mais que em outras durante o cultivo. Assim, o impacto na produtividade deverá ser pontual, sendo mais acentuada em áreas onde não há irrigação. Além da redução na safra, o Sul de Minas Gerais poderá colher batatas de menor qualidade.

Enquanto produtores de Minas Gerais estão dando início à safra de verão, bataticultores do Sudoeste Paulista devem finalizar a de inverno neste mês. Falta 25% da safra para ser colhida, que deve ocorrer ainda nesta primeira quinzena.

Produtores paulistas estão satisfeitos com os resultados da safra devido às cotações estarem acima dos custos de produção. Essa situação permite aos produtores do Sudoeste Paulista recuperar o prejuízo da temporada passada, ou pelo menos parte dele. O resultado só não é melhor porque as altas temperaturas registradas em outubro e novembro prejudicaram a qualidade do tubérculo.
Por Daiana Braga - Equipe Hortifruti Brasil
 
 

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Chuva no Vale do São Francisco preocupa produtores

As chuvas no Nordeste na última semana deixaram produtores de frutas e hortaliças em alerta, especialmente no Vale do São Francisco, a mais importante região produtora de HFs do Nordeste. Praticamente todas as culturas produzidas na região e acompanhadas pelo Cepea sofreram algum impacto com as precipitações, conforme relatos de produtores.

A colheita de cebola no Vale do São Francisco chegou a ser interrompida na última semana por conta da umidade. Desta forma, foram comercializadas principalmente as cebolas que já estavam nas beneficiadoras. De qualquer forma, as precipitações podem depreciar a qualidade das cebolas que serão colhidas.

Para a manga, como a maioria dos produtores nordestinos está preparando os pomares para a safra 2015, as precipitações atrapalham as induções florais e as floradas.

Outra cultura que também teve seus trabalhos de campo reduzidos foi o melão. Quando ocorrem chuvas, a retirada dos melões nas roças não ocorre, o que pode gerar atrasos na comercialização. Além disso, a fruta fica com menor calibre, e acaba perdendo espaço para as frutas maiores, como as do polo produtor Rio Grande do Norte/Ceará.

A qualidade da uva colhida na região também foi afetada diante das chuvas dos últimos dias. As variedades mais prejudicadas foram as sem sementes, como a uva thompson, que são mais sensíveis aos impactos climáticos. 

Para alívio da hortifruticultura, pelo menos nos próximos 15 dias não há previsão de novas chuvas no Vale do São Francisco, segundo a Somar Meteorologia. Desta forma, as atividades de campo, bem como a qualidade dos hortifrutícolas, podem melhorar já nesta semana. 

Por Daiana Braga - Equipe Hortifruti Brasil


 

Laranja: seca prejudica floradas e pode afetar a safra 2015/16

Se por um lado as chuvas são preocupantes no Nordeste, a seca prolongada no Sudeste vem tirando o sono de muito agricultor. As chuvas foram um pouco mais volumosas em novembro, mas ainda bem abaixo da média do mês no estado de São Paulo, mantendo em alerta produtores de laranja quanto à proporção da próxima safra.

Apesar de ainda ser cedo para quantificar o volume a ser colhido na safra 2015/16, citricultores já notam danos nas plantas agravados pelo forte sol e calor, o que prejudica ainda mais o vigor das árvores. Até mesmo nas regiões mais chuvosas e nas fazendas irrigadas há relatos de danos no “pegamento” das floradas. Em algumas áreas, a queda de chumbinhos foi muito intensa e a melhora do volume de frutas vai depender de novas aberturas de flores.
 
Para os próximos 10 dias, a previsão é de chuvas mais regulares, segundo a Climatempo.

Por Daiana Braga – Equipe Hortifruti Brasil

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Preço da tahiti bate recorde em novembro

O preço da lima ácida tahiti já é recorde na parcial de novembro. Apenas na última semana, os valores da fruta estiveram a R$ 73,58/cx de 27 kg, colhida. Considerando o mês de novembro, este valor é o maior já registrado de toda a série histórica do Cepea, que teve início em 1996. A maior cotação já verificada para o mês foi de R$ 46,64 em 2008.

O que explica os recordes históricos é a falta de fruta de qualidade no mercado – sem contar que é período de entressafra. Boa parte da tahiti negociada está com baixo calibre devido à forte seca no estado de São Paulo este ano. No entanto, aquele produtor que tinha frutas mais graúdas conseguiu vendê-la por mais de R$ 100,00/cx. A maioria dos produtores, no entanto, tem negociado a valores bem mais baixos, mas ainda assim é considerado satisfatório, o que segue motivando produtores a colherem a fruta antecipadamente. 
Por Daiana Braga - Equipe Hortifruti Brasil